James Randi em uma cirurgia espiritual
cirurgias espirituais
Nas alegadas cirurgias espirituais cada religião/doutrina justifica a sua maneira, por exemplo, os motivos pelos quais há a cura bem como da maneira como a cirurgia deve ser aplicada. Algumas religiões por exemplo, como a desvendada no vídeo abaixo, há um contato entre o paciente e quem aplica a cirurgia. Algumas usam objetos (mas não fazem cortes, incisões, servindo o objeto apenas como figurante), noutras há o contato com as mãos apenas e em outras não há contato físico algum.
Nem todas as cirurgias espirituais são cobradas. Em algumas religiões a cobrança é feita com mais afinco. Em outras pede-se por doação - deixando o praticante livre para não doar nada. Em outras até as doações são pouco sugeridas. Mas tem que haver doação de algum tipo, nem que seja de tempo, senão nenhuma instituição não-religiosa ou religiosa sobreviveria por muito tempo. Então o problema não é a cobrança de mensalidades ou sugestão de doações. Um aspecto a se considerar é que se um (falso) cirurgião espiritual não fique com dinheiro, rico, por outro lado ele ganha respeito, carinho, admiração, adoração de muitos, assim a busca pelo dinheiro não é a única.
Imagine que não se cobre por uma cirurgia espiritual. Um efeito curioso acontece: o indivíduo que se submeter a ela e nada lhe acontecer ele raramente iria se queixar já que não pagou nada apenas "foi lá porque disseram que funcionaria" ou foi lá porque "tentar não custou nada apenas o tempo". Sobretudo se o indivíduo ir desenganado pelos médicos: se nem Deus curar então quem sabe que não é desígnio divino? Carma (karma) ou algo assim?
Agora imagine se a cirurgia trouxer algum alívio. Ainda que seja só isto e que a pessoa pense que curou só porque não sente mais dor. Ou então que tenha curado porque a doença era de alcance psicológico (psicossomática). Ou ainda que a pessoa tenha passado por uma série de tratamentos nos quais só agora algum (ou vários) tenham surgido efeito e ela pense que foi o tratamento que ela fez por último? Ou ainda um regresso natural da doença ou sistema imunológico vencendo naturalmente a batalha, etc.
A pessoa então, não pagou nada pela cirurgia espiritual e ainda sai pensando que foi curada! Ela fará propaganda de todo o grado sobre a cirurgia espiritual. "Fiz, não paguei nada e ainda fui curado!". Cirurgias espirituais gratuitas tem então um efeito interessante: abafa os descontentes com ela e deixa os contentes com o resultado mais eufóricos! Ocasionando uma ilusão sobre o seu funcionamento. É uma boa estratégia.
Provavelmente os fundadores das cirurgias espirituais não tenham pensado nisto. Talvez resolveram não cobrar porque não tinham certeza dos resultados, da recuperaçã completa, etc. De qualquer forma, entre as cirurgias espirituais as que não cobrarem dinheiro/bens com afinco em algum tempo serão mais populares que as que cobrem. Graças ao fator propaganda.
No vídeo abaixo mostra um exemplo de cirurgia espiritual. Não estou querendo dizer que todas são assim, claro.
James Randi em uma cirurgia espiritual
Pelo vídeo vemos como uma cirurgia espiritual fraudulenta pode ser arranjada. Daí a importância de céticos e especialistas puderem examinar de perto, ver se o cirugião espiritual não esconde nada nas mangas, etc. Além de acompanhar o pós-tratamento, ver se não há recaídas. E qual o percentual de curados? Foi maior que pelo efeito placebo? Houve um grupo de controle? até que ponto este tratamento espiritual cura doenças não psicossomáticas? Etc. Assim é o exame científico que premia a verdade e reprime a mentira mesmo quando a mentira parecer mais agradável de ouvir, acreditar.
Afinal, a quem interessa fugir de testes precisos? É o honesto que foge? Ou o desonesto, o charlatão que não quer ser desmascarado? Sim porque em tais testes fracassa o indivíduo que alega fazer cirurgias espirituais quando na verdade está apenas fingindo (no vídeo James Randi mostrou como poderia ser fingir). Também fracassa aquele que está apenas alucinando que têm espíritos guia.
Não sei quanto a vocês mas eu me preocupo com o lado mais prático das religiões pois estou interessado em separar o joio do trigo, ou seja, separar uma suposta religião verdadeira de práticas supersticiosas simples ou de superstições mais elaboradas.
Várias religiões prometem que podem curar doenças mas
1) os praticantes, os líderes, se recusam a fazer testes; não se importando que a recusa em fazer testes é o mesmo comportamento de fraudadores.
2) há cirurgias espirituais que são baratas ou até de graça e que prometam funcionar (já que o poder de Deus ou dos anjos e etc são muito grandes ou infinitos). Ainda tendo a vantagem do preço (em geral sai de graça ou quase) e suposta eficiência; estranhamente que de milênios para cá vem perdendo espaço para uma Medicina ainda que cada vez mais cara.
pensamentos cristãos
Diálogo fictício entre um cristão e um não-cristão. Como os discursos dos cristãos (sobretudo católicos e evangélicos) são muito parecidos, qualquer semelhança que você pode ser visto/ouvido pode não ser mera coincidência!
cristão: - Deus ama você!
pessoa em dúvida: - mas isto é ótimo.
cristão: - sim, mas se não adorá-lo irá arder no inferno
pessoa em dúvida: - mas isto não é um amor condicional? Se Deus me ama porque ele quer me jogar no inferno?
cristão: - Deus não quer te mandar para o inferno. Mas o primeiro mandamento diz que a não ser que você o ame sobre todas as coisas ele te jogará no inferno.
pessoa em dúvida: - mas se Deus não quer mandar ninguém para o inferno por que ele simplesmente não manda? Afinal não é Ele quem manda? ou são as regras?
cristão: - [...]pessoa em dúvida: - então a idéia é: Deus ama primeiro suas regras, seus leis, seu jeito de governar. Depois, em segundo lugar, ele ama as criaturas. Algo como as regras são mais importantes. O que é mais estranho é que Deus poderia não mandar as pessoas ao inferno já que Ele mudou as regras duas vezes. Por que não pode mudar mais?
cristão: - quais foram as vezes que Deus mudou?
pessoa em dúvida: - leia a Bíblia, nem parece que você é cristão. Primeira mudança: não havia Antigo Testamento, e o povo ia vivendo. Daí Deus resolve mandar as primeiras regras (Velho Testamento). Segunda mudança: Deus manda Jesus dizer que o Velho não era mais válido e doravante deveríamos seguir o Velho.
cristão: - a lógica de Deus é ilógica para nóspessoa em dúvida: - mas as fábulas, mitos, lendas também não parecem ilógicas?
cristão: - mas as outras religiões é que são falsas a minha é a única verdadeira!
pessoa em dúvida: - e como ficam as pessoas que morreram sem nunca terem ouvido falar em Novo ou Velho Testamento? Estas pessoas, provável que bilhões, todas vão para o inferno?
cristão: - talvez algumas irão para o céu. Deus deve conhecer o pensamento delas para saber se aceitariam ou não em vida Jesus ou Deus.
pessoa em dúvida: - mas isto não tornam os mandamentos inúteis pois Deus sempre saberia se a pessoa aceitaria ou não os mandamentos daí que Deus não precisa ficar testando?
cristão: - a lógica de Deus é ilógica para nós
pessoa em dúvida: - de novo você com esta. Talvez seja melhor abandonar as religiões com suas alegações ilógicas de deus ou deuses improváveis e indetectáveis então.
cristão: - [...]pessoa em dúvida: - Outra coisa: o castigo pode ser MAIOR que o crime? E MUITO MAIOR que o crime? Se uma pessoa provoca pratica um crime e provoca algum tipo de dor em outra, a criminosa deveria então sofrer muito mais e por toda a eternidade?
cristão: - a lógica de Deus é ilógica para nós. O senso de justiça ou de amor dele são diferentes de nosso senso.
pessoa em dúvida: - Deixemos para lá então. Se você quer crer nisto, tudo bem.
O que lhe parece a pessoa que não suporta que os outros não a amem? Pensamento infantil? Egoismo? Ou que além de não aceitar, ela tenta se vingar, punir quem não o ame? Psicopatia? Como um pai que não entende o amor do filho ou que não aceite suas diferenças e resolve, por causa delas, torturar o filho eternamente. Seria a justiça de deus equivocada, desproporcional?
É falso que as pessoas optam por ir para o inferno. Imagine pessoas que observando o mundo e vendo como o cristianismo se comporta como uma superstição frente à realidade, elas consideram ele falso. Agora, pesar as evidências, agir com a razão, sem preconceitos e etc, por fim considerando o cristianismo falso a pessoa merecerá o inferno? Só se o amor do seu deus for condicional. Como uma criança mimada que não aceite que não gostem dela.
Suponha um ser que é injusto nos castigos, não sabe avaliá-los. E que ainda ame condicionalmente? Agora suponha que estes sejam os atributos alegados a um deus. Faz sentido acreditar, ter fé, na existência de um deus de pensamentos infantis?
Hermanoteu e Moises
Video do grupo de humor Os Melhores do Mundo. Trata-se de humor. Divirtam-se
Hermanoteu e Moises
A posição de Barack Obama quanto ao uso da Religião na Política
Restam dois candidatos do momento das eleições norte-americanas. Um deles é John McCain, do Partido Republicano que em geral é mais fundamentalista na questão da religião (e da guerra). Outro é Barack Obama, do Partido Democrata.
Barack Obama, ainda que seja cristão, fez um discurso conciliador muito bom. Imagino que a maioria dos políticos pensa assim, muito embora tenham vergonha ou receio de dizer. Segue abaixo o discurso, e mais abaixo o vídeo deste discurso:
"Dada a crescente diversidade das populações dos Estados Unidos, os perigos do sectarismo estão maiores do que nunca. O que quer que nós já tenhamos sido, nós não somos mais uma nação cristã. Pelo menos não somente. Nós somos também uma nação judaica, uma nação muçulmana, uma nação budista, uma nação hindu e uma nação de incrédulos.
E mesmo se nós tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, o cristianismo de quem nós ensinaríamos nas escolas?
Seria o de James Dobson ou o de Al Sharpton? Que passagens das escrituras deveriam instruir as nossas políticas públicas? Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável? E comer frutos do mar é uma abominação? Ou poderíamos escolher o Deuteronômio que sugere apedrejar o seu filho caso ele se desvie da fé? Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha? Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação.
Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia. O que me leva ao segundo ponto: que Democracia exige que aqueles motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais, ao invés de valores específicos de uma religião. O que eu quero dizer com isto? A democracia requer que as propostas estejam sujeitas à discussão e sejam influenciáveis pela razão.
Eu posso ser contrário ao aborto por razões religiosas, por exemplo, mas se eu pretendo aprovar uma lei proibindo a prática, eu não posso simplesmente recorrer aos ensinamentos da minha igreja ou invocar a vontade divina; eu terei que explicar porque o aborto viola algum princípio que é acessível às pessoas de todas as fés, incluindo aqueles sem fé alguma.
Agora, isto vai ser difícil para alguns que acreditam na infalibilidade da Bíblia, como muitos evangélicos acreditam, mas em uma sociedade pluralista nós não temos escolha. Política depende das nossas habilidades de persuadir uns aos outros de objetivos comuns com base em uma realidade comum. Ela envolve negociação, a arte daquilo que é possível. E, em algum nível fundamental, a religião não permite negociar: é a arte do impossível. Se Deus falou, então espera-se que os seguidores vivam de acordo com os éditos de Deus, a despeito das conseqüências.
Agora basear a vida de uma única pessoa em compromissos tão inegociáveis pode ser sublime, mas basear nossas decisões políticas em tais compromissos seria perigoso. E se você duvida disso, deixe-me dar um exemplo:
Todos nós conhecemos a história de Abraão e Isaac. Abraão foi ordenado por Deus a sacrificar o seu único filho. Sem discutir com Deus, Abraão leva Isaac montanha acima e o amarra a um altar.
Levanta a sua faca. Prepara-se para agir ... como Deus ordenara.
Nós agora sabemos que as coisas terminaram bem: Deus envia um anjo para interceder bem no último minuto. Abraão passa no teste de devoção de Deus.
Mas é justo dizer que se qualquer um de nós, ao sair desta igreja, [o discurso estava sendo realizado numa igreja] visse um Abraão no telhado de um prédio levantando sua faca, nós iríamos, no mínimo, chamar a polícia. E esperaríamos que o Departamento de Serviços às Crianças e à Família tirasse a guarda de Isaac de Abraão. Nós faríamos isto porque nós não ouvimos o que Abraão ouve, nós não vemos o que Abraão vê. Então o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquelas coisas que todos nós vemos, e que todos nós ouvimos. A jurisprudência é o bom senso básico.
Então nós temos algum trabalho para fazer aqui, mas eu tenho esperanças que nós poderemos transpor o hiato que existe e superar os preconceitos que todos nós, em maior ou menor grau, trazemos a este debate. E eu tenho fé de que milhões de americanos crédulos querem que isto aconteça. Não importa o quão religiosos possam ser, ou não ser, as pessoas estão cansadas de ver a fé sendo utilizada como ferramenta de ataque. Elas não querem que a fé seja usada para diminuir ou para dividir porque no fim não é desta forma que elas vêem a fé nas suas próprias vidas. "
Eis o vídeo com legenda
Um dos discursos de Barack Obama
Religião e epilepsia
Supondo que experiências religiosas, espirituais, não passem de ilusão então não seria surpreendente que a causa delas estaria no cérebro. Em alguma diferença cerebral entre os mais religiosos e os menos religiosos.
Estrutura mental da espiritualidade e seu papel evolutivo ainda são um mistério.

por Edson Amâncio*
neurocirurgião do Hospital Albert Einstein,
de São Paulo,
doutor pela Unifesp -
Universidade Federal de São Paulo
Um dos temas atuais mais palpitantes em neurociências é saber "onde" estão as redes neurais cerebrais que codificam a crença (ou a fé). Localizacionistas apostam no lobo temporal, e tal convicção se fundamenta na religiosidade das pessoas que sofreram lesão nessa área.
Trabalhos científicos enfatizam o fato de que portadores de epilepsia do lobo temporal desenvolvem religiosidade exacerbada. Entre casos famosos mencionados encontra-se o pintor Vincent Van Gogh. Qual teria sido a origem do seu fervor religioso, levando-o a tornar-se um pregador tão obstinadamente preocupado com seus deveres que acabou expulso de sua seita?
Numa tentativa de compreender melhor o fervor religioso despertado em pessoas com lesão temporal o neurologista Vilayanur Ramachandran estudou dois pacientes epiléticos do lobo temporal, ambos com tendência espiritualista exacerbada. Submeteu-os a um experimento simples, conectando-lhes ao braço um eletrodo que capta impulsos elétricos na pele quando a pessoa é envolvida por alguma emoção. Numa tela de computador assistiam a figuras neutras (como bola de tênis, árvore e quadro-negro) intercaladas com imagens de sexo, violência, símbolos religiosos e palavras alusivas a Deus. Para surpresa dos examinadores, os impulsos mais intensos não se deram com cenas violentas ou eróticas: naqueles dois epiléticos do lobo temporal, a intensidade aumentava nitidamente quando os pacientes viam imagens religiosas.
Assim, seria lícito supor - por mais absurdo que possa parecer - que existem áreas no cérebro cujos circuitos são especializados em fé ou apego religioso? É exatamente aí que se inicia a penumbra do nosso conhecimento. Talvez por isso os neurocientistas tenham se negado sistematicamente a dedicar tempo de pesquisa ao tema.
Um epilético com lesão no lobo temporal e que desenvolvera religiosidade exacerbada quando não havia nele nenhum vestígio de interesse religioso antes da cirurgia causadora da lesão contou-me que, ocasionalmente, sofre uma crise em que tem a nítida sensação de sair do corpo, uma evidente sensação extra-sensorial. Relatos como esse se encaixam na experiência tornada pública em 2001 por Olaf Blanke. Ele colheu o extraordinário relato de uma paciente que passou por uma experiência extra-sensorial quando teve o giro angular direito estimulado por uma corrente elétrica. Ela estava se submentendo a cirurgia de crânio para a retirada de áreas geradoras de descargas epiléticas no lobo temporal.
Esse tipo de operação geralmente se faz sob anestesia local, pois é importante que o paciente esteja acordado para orientar os médicos quanto à sensação experimentada em cada área estimulada. Assim, colocam-se delicadamente eletrodos sobre o córtex cerebral, e desencadeia-se uma estimulação elétrica enquanto se aguarda a reação do paciente. Dessa forma, faz-se um mapa das áreas cerebrais próximas à lesão, permitindo identificar o local, remover precisamente a área afetada e preservar as áreas sadias das vizinhanças.
Quando neurocirurgiões estimularam o giro angular (região próxima à porção mais posterior do lobo temporal), a paciente relatou a sensação de levitar. Os estímulos foram repetidos várias vezes, e, numa delas, ela se referiu à sensação extracorpórea; estava a cerca de 2 metros distante do próprio corpo, perto do teto da sala, observando os médicos operar sua cabeça.
Até que ponto o resultado desses experimentos se superpõem? Pode uma avaria nas redes neurais que parecem governar a fé desencadear uma crença que não existia ou estava adormecida? E qual o papel do giro angular na sustentação da imagem corporal? Por que a estimulação dessa área cortical projeta para o paciente sua imagem fora do corpo? Que papel a evolução atribuiu ao lobo temporal no controle das nossas crenças? Se nossos genes são de fato "egoístas", a que atribuir a crença ilimitada em outra vida, em outra dimensão? E por que tais crenças se tornam acentuadas quando estruturas do lobo temporal são atingidas? Respostas a essas questões talvez sejam um dos maiores desafios para as neurociências.
Trabalhos científicos enfatizam o fato de que portadores de epilepsia do lobo temporal desenvolvem religiosidade exacerbada. Entre casos famosos mencionados encontra-se o pintor Vincent Van Gogh. Qual teria sido a origem do seu fervor religioso, levando-o a tornar-se um pregador tão obstinadamente preocupado com seus deveres que acabou expulso de sua seita?
Numa tentativa de compreender melhor o fervor religioso despertado em pessoas com lesão temporal o neurologista Vilayanur Ramachandran estudou dois pacientes epiléticos do lobo temporal, ambos com tendência espiritualista exacerbada. Submeteu-os a um experimento simples, conectando-lhes ao braço um eletrodo que capta impulsos elétricos na pele quando a pessoa é envolvida por alguma emoção. Numa tela de computador assistiam a figuras neutras (como bola de tênis, árvore e quadro-negro) intercaladas com imagens de sexo, violência, símbolos religiosos e palavras alusivas a Deus. Para surpresa dos examinadores, os impulsos mais intensos não se deram com cenas violentas ou eróticas: naqueles dois epiléticos do lobo temporal, a intensidade aumentava nitidamente quando os pacientes viam imagens religiosas.
Assim, seria lícito supor - por mais absurdo que possa parecer - que existem áreas no cérebro cujos circuitos são especializados em fé ou apego religioso? É exatamente aí que se inicia a penumbra do nosso conhecimento. Talvez por isso os neurocientistas tenham se negado sistematicamente a dedicar tempo de pesquisa ao tema.
Um epilético com lesão no lobo temporal e que desenvolvera religiosidade exacerbada quando não havia nele nenhum vestígio de interesse religioso antes da cirurgia causadora da lesão contou-me que, ocasionalmente, sofre uma crise em que tem a nítida sensação de sair do corpo, uma evidente sensação extra-sensorial. Relatos como esse se encaixam na experiência tornada pública em 2001 por Olaf Blanke. Ele colheu o extraordinário relato de uma paciente que passou por uma experiência extra-sensorial quando teve o giro angular direito estimulado por uma corrente elétrica. Ela estava se submentendo a cirurgia de crânio para a retirada de áreas geradoras de descargas epiléticas no lobo temporal.
Esse tipo de operação geralmente se faz sob anestesia local, pois é importante que o paciente esteja acordado para orientar os médicos quanto à sensação experimentada em cada área estimulada. Assim, colocam-se delicadamente eletrodos sobre o córtex cerebral, e desencadeia-se uma estimulação elétrica enquanto se aguarda a reação do paciente. Dessa forma, faz-se um mapa das áreas cerebrais próximas à lesão, permitindo identificar o local, remover precisamente a área afetada e preservar as áreas sadias das vizinhanças.
Quando neurocirurgiões estimularam o giro angular (região próxima à porção mais posterior do lobo temporal), a paciente relatou a sensação de levitar. Os estímulos foram repetidos várias vezes, e, numa delas, ela se referiu à sensação extracorpórea; estava a cerca de 2 metros distante do próprio corpo, perto do teto da sala, observando os médicos operar sua cabeça.
Até que ponto o resultado desses experimentos se superpõem? Pode uma avaria nas redes neurais que parecem governar a fé desencadear uma crença que não existia ou estava adormecida? E qual o papel do giro angular na sustentação da imagem corporal? Por que a estimulação dessa área cortical projeta para o paciente sua imagem fora do corpo? Que papel a evolução atribuiu ao lobo temporal no controle das nossas crenças? Se nossos genes são de fato "egoístas", a que atribuir a crença ilimitada em outra vida, em outra dimensão? E por que tais crenças se tornam acentuadas quando estruturas do lobo temporal são atingidas? Respostas a essas questões talvez sejam um dos maiores desafios para as neurociências.
pessoas, o bem e o mal, e a religião na política
"E quanto àqueles meus inimigos
que não me quiserem como rei,
trazei-os aqui e matai-os diante de mim".
Bíblia, Novo Testamento, Lucas 19:27
"Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR,
do dia de Jerusalém, pois diziam:
Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
Filha da Babilônia, que hás de ser destruída,
feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.
Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos
para os esmagar contra os rochedos"
Bíblia, Salmos 137:7-9
"Se alguém vem a mim e não odeia seu pai,
sua mãe, sua mulher, seus filhos,
seus irmãos, suas irmãs
e até a sua própria vida,
não pode ser meu discípulo".
Lucas 14:25-27
...e muitas mais passagens da Bíblia...
"... Com ou sem ela [a religião]
teríamos pessoas boas fazendo o bem
e pessoas más fazendo o mal.
Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião".
Steven Weinberg, prêmio Nobel de Física.
que não me quiserem como rei,
trazei-os aqui e matai-os diante de mim".
Bíblia, Novo Testamento, Lucas 19:27
"Contra os filhos de Edom, lembra-te, SENHOR,
do dia de Jerusalém, pois diziam:
Arrasai, arrasai-a, até aos fundamentos.
Filha da Babilônia, que hás de ser destruída,
feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizeste.
Feliz aquele que se apoderar de teus filhinhos
para os esmagar contra os rochedos"
Bíblia, Salmos 137:7-9
"Se alguém vem a mim e não odeia seu pai,
sua mãe, sua mulher, seus filhos,
seus irmãos, suas irmãs
e até a sua própria vida,
não pode ser meu discípulo".
Lucas 14:25-27
...e muitas mais passagens da Bíblia...
Para ler mais sobre atrocidades permitidas e incitadas pela Bíblia, leia a sua Bíblia (não apenas as passagens que seu pastor ou padre te mostram) ou consulte algumas clicando aqui ou clicando aqui (sugiro fortemente que leia estes dois textos antes de continuar a leitura deste). Numa outra postagem vamos ver se a Religião tem algum lado bom. E se tem, como ele poderia ser conquistado sem ela.
Quando eu escrevi estes textos eu ainda não havia pensando se no saldo, as religiões são ou não perniciosas. O que pode haver de ruim em evangélicos encherem o bolso do pastor (ou outro crédulo com outro líder espiritual) de dinheiro? Claro que nem todos os pastores são corruptos. Se alguns são corruptos quero acreditar que seja a minoria. Não obstante, os próprios evangélicos parecem não ligar tanto para isso. Já ouvi certa vez (e enquanto cristão, eu já defendi) a seguinte idéia:
"Se o pastor desviar, terá que arcar depois com Deus no dia do Juízo Final!" Que presa fácil eu era para um charlatão disfarçado de pastor heim? E quantos mais não o são?
Não é raro ateus não verem mal na Religião. Em geral, eles (e não apenas eles) são contra um Estado Religioso, uma Teocracia. Mas qual a fonte de governantes teocratas senão a Religião? O problema está na fonte também! Sim porque se um Estado é teocrático (como muitos países muçulmanos hoje em dia, ou o próprio Vaticano) é sinal que ele é governado por religiosos (ainda que possam ser pessoas fingindo que defendam tal religião do país) mas que só estão lá, no poder, porque eles são produtos da Religião! Ou do ambiente fortemente influenciado pela Religião.
Para ter idéia de como a Religião pode influenciar a Política, comecemos analisando a seguinte alegação
Quando eu escrevi estes textos eu ainda não havia pensando se no saldo, as religiões são ou não perniciosas. O que pode haver de ruim em evangélicos encherem o bolso do pastor (ou outro crédulo com outro líder espiritual) de dinheiro? Claro que nem todos os pastores são corruptos. Se alguns são corruptos quero acreditar que seja a minoria. Não obstante, os próprios evangélicos parecem não ligar tanto para isso. Já ouvi certa vez (e enquanto cristão, eu já defendi) a seguinte idéia:
"Se o pastor desviar, terá que arcar depois com Deus no dia do Juízo Final!" Que presa fácil eu era para um charlatão disfarçado de pastor heim? E quantos mais não o são?
Não é raro ateus não verem mal na Religião. Em geral, eles (e não apenas eles) são contra um Estado Religioso, uma Teocracia. Mas qual a fonte de governantes teocratas senão a Religião? O problema está na fonte também! Sim porque se um Estado é teocrático (como muitos países muçulmanos hoje em dia, ou o próprio Vaticano) é sinal que ele é governado por religiosos (ainda que possam ser pessoas fingindo que defendam tal religião do país) mas que só estão lá, no poder, porque eles são produtos da Religião! Ou do ambiente fortemente influenciado pela Religião.
Para ter idéia de como a Religião pode influenciar a Política, comecemos analisando a seguinte alegação
"... Com ou sem ela [a religião]
teríamos pessoas boas fazendo o bem
e pessoas más fazendo o mal.
Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião".
Steven Weinberg, prêmio Nobel de Física.
Entendo que Weinberg se referiu às pessoas que matam ou mataram em nome do deus deles. Ou fizeram outras coisas atrozes, como torturar, etc, ou seja:
- ao que os cristãos fizeram na Idade Média,
- evangélicos dos EUA em seus rituais de assassinato dizendo que seriam bruxas
- destruir, queimar artes ou livros de ciências que fossem considerados heréticos
- e assim por diante.
Atualmente temos
- muçulmanos mais fundamentalistas (uma minoria, é verdade) matando por Alá.
- cristãos mais fundamentalistas tentando impedir o progresso da Ciência (exemplo, pesquisas com células tronco, etc)
- A Igreja Católica proibindo o uso de camisinha causando assim a morte de vários africanos por Aids,
- etc.
Alguns pensam que Estados, povos melhor dizendo, não sofrem nas mãos da Religião se não forem teocráticos. Entretando, a Religião no papel da Igreja atua fortemente prejudicando muitos setores. Tentando impedir progressos que entrem em confronto com os dogmas da religão, ainda que haja uma montanha de evidências demonstrando que o dogma seja falso.
Devemos pensar que da mesma forma que não devemos deixar crianças ou psicopatas ter acesso à facas ou revólveres, deveríamos pensar o mesmo sobre Religião. Ou talvez a Religião ser apenas abordada em aulas de Mitologia e História dos Bárbaros, já que ela, em algum nível pelo menos, acaba sendo mesmo um insulto à dignidade, tendo sido a Bíblia, por exemplo, já usada produzindo tal efeito.
Já comentei sobre algumas destas atrocidades permitidas e incitadas pela Bíblia (consulte algumas clicando aqui ou clicando aqui) . Neste sentido que ela fere os direitos humanos, a liberdade, promove a sociopatia, e assim por diante.
É claro que os cristãos vão tentar salvar a Bíblia. E as desculpas, evasivas, mais comuns são
Devemos pensar que da mesma forma que não devemos deixar crianças ou psicopatas ter acesso à facas ou revólveres, deveríamos pensar o mesmo sobre Religião. Ou talvez a Religião ser apenas abordada em aulas de Mitologia e História dos Bárbaros, já que ela, em algum nível pelo menos, acaba sendo mesmo um insulto à dignidade, tendo sido a Bíblia, por exemplo, já usada produzindo tal efeito.
Já comentei sobre algumas destas atrocidades permitidas e incitadas pela Bíblia (consulte algumas clicando aqui ou clicando aqui) . Neste sentido que ela fere os direitos humanos, a liberdade, promove a sociopatia, e assim por diante.
É claro que os cristãos vão tentar salvar a Bíblia. E as desculpas, evasivas, mais comuns são
- a desculpa de estar fora do contexto;
- a desculpa do contexto histórico I;
- a desculpa do contexto histórico II - uma idéia que tive para tentar melhorar I, embora continua sendo apenas uma desculpa;
- a desculpa do contexto histórico-geográfico;
- a desculpa dos erros de tradução;
futuramente veremos porque elas não se sustentam . Já adiantando que a 1, 2 e 5 são as mais fáceis de refutar. (Quando eu era cristão usava muito a 2 e a 5).
Só a título de curiosidade, a frase completa de Weinber é
"A religião é um insulto à dignidade humana. Com ou sem ela teríamos pessoas boas fazendo o bem e pessoas más fazendo o mal. Mas para pessoas boas fazerem coisas más é necessário a religião".
Steven Weinberg, prêmio Nobel de Física.
humor
O humor inteligente e crítico de George Carlin. Ainda que alguns possam achar o humor crítico demais :o)))
George Carlin Religião, a maior besteira de todos os tempos
Outro vídeo de humor: paródia da música I Will Survive
Jesus Will Survive (Jesus Sobreviverá)
ateus são, em média, mais inteligentes???


Esta notícia me surpreendeu, porque imaginava que QI não era diferenciado nem por gênero, etnia, idade, classe social, etc. Então esperava que seria encontrado o mesmo percentual de pessoas que possuem QI alto tanto no grupo de ateus quanto de teísta ou ainda de agnósticos.
Vimos na postagem Os Cientistas São Ateus?, havia sido feita uma pesquisa entre os cientistas dos EUA, publicada na revista científica Nature, que revelou que 72.2% dos cientistas era ateu, 20.8 % agnósticos e apenas 7% dos cientistas era teísta. Talvez o método de trabalho dos cientistas, de não considerar seres espirituais, sobrenaturais, etc, em suas teorias estudas ou criadas, acabaria influenciando-os em demais pensamentos. Ou seja, acabavam "absorvendo" o ceticismo necessário na Ciência.
Não cogitei que os cientistas tenham um QI médio maior que demais membros da sociedade. Embora acho que já li tal pesquisa em algum lugar ...
Vimos na postagem Os Cientistas São Ateus?, havia sido feita uma pesquisa entre os cientistas dos EUA, publicada na revista científica Nature, que revelou que 72.2% dos cientistas era ateu, 20.8 % agnósticos e apenas 7% dos cientistas era teísta. Talvez o método de trabalho dos cientistas, de não considerar seres espirituais, sobrenaturais, etc, em suas teorias estudas ou criadas, acabaria influenciando-os em demais pensamentos. Ou seja, acabavam "absorvendo" o ceticismo necessário na Ciência.
Não cogitei que os cientistas tenham um QI médio maior que demais membros da sociedade. Embora acho que já li tal pesquisa em algum lugar ...
| Um artigo de pesquisadores europeus, que será publicado na revista acadêmica Intelligence em setembro, defende a tese de que pessoas com QI (Quociente de Inteligência) mais alto são menos propensas a ter crenças religiosas. | ![]() Imagem extraída da BBC Brasil. |
O texto é assinado por Richard Lynn, professor de psicologia da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte, em parceria com Helmuth Nyborg, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e John Harvey, sem afiliação universitária.
A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais. Em um desses estudos, os autores compararam a média de QI com religiosidade entre países. No outro estudo, eles cruzaram os resultados de jovens americanos em um teste alternativo de habilidade intelectual (fator g) com o grau de religiosidade deles.
Na pesquisa entre países, os pesquisadores analisaram média de QI com o de religiosidade em 137 países. Os dados foram coletados em levantamentos anteriores. Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.
Os pesquisadores dividiram os países em dois grupos. No primeiro grupo, foram colocados os países cujas médias de QI são mais baixos, variando de 64 a 86 pontos. Nesse grupo, uma média de apenas 1.95% da população não acredita em Deus. No segundo grupo, onde a média de QI era de 87 a 108, uma média de 16,99% da população não acredita em Deus.
Cientistas, adolescentes e população em geral
Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado. Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral dos EUA. E uma pesquisa junto aos membros da Royal Society encontrou que apenas 3.3 por cento acreditavam em Deus. Entre a população geral do Reino Unido, 68.5 por cento descrevera-se como crédulos em Deus. (A Royal Society tem 350 anos e já teve como membro Isaac Newton entre outros.)
Lynn disse que a maior parte de crianças com educação primária acredivam em Deus, mas quando entravam na adolescência - e a inteligência delas crescia - muitas começaram a ter dúvidas da existência de Deus. Ele disse a uma revista de ensino médio: "por que menos acadêmicos acreditam em Deus do que a população geral? Eu acredito que é simplismente questão de QI. Acadêmicos tem QI maior do que a população em geral. Muitas pesquisas da população geral tem mostrado que as de QI mais alto tendem a não acreditar em Deus".
Generalização
Lynn admitiu à BBC Brasil que os resultados apontam para uma "generalização" e que há pessoas com QI alto que têm crenças religiosas fortes. Segundo ele, há vários fatores, como influência familiar ou pressão social, que influenciam a religiosidade das pessoas.
"Nós temos que diferenciar a situação hoje com outros períodos da história. As pessoas tendem a adotar uma atitude de acordo com a sociedade em que vivem. Hoje em dia, na Grã-Bretanha e em outros países europeus, não há tanta pressão da sociedade para que você acredite em Deus", afirma. Ele disse também que o aumento de ateísmo de 137 países durante o século XX aconteceu ao mesmo tempo em que as pessoas ficaram mais inteligentes. [Se isto lhe parecer estranho, lembre-se que conforme as pessoas mais pobres vão tendo mais acesso à alimentação, que a desnutrição vem sendo combatida, - que é o que vem ocorrendo - a saúde como um todo melhora, inclusive a inteligência.]
Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos "irracionais".
Exceções
Os autores argumentam que há algumas exceções para a conclusão de que QI alto equivale a altas taxas de ateísmo. Eles citam, por exemplo, os casos de Cuba (QI de 85 e cerca de 40% de descrentes) e Vietnã (QI de 94 e taxa de ateísmo de 81%), onde há uma porcentagem de pessoas que não acreditam em Deus maior do que a de países com QI médio semelhante. Uma possível explicação estaria, segundo os autores, no fato de que "esses países são comunistas nos quais houve uma forte propaganda ateísta contra a crença religiosa".
Outra exceção seriam os Estados Unidos, onde a média de QI é considerada alta (98), mas apenas 10,5% dizem não acreditar em Deus, uma taxa bem mais baixa do que a registrada no noroeste e na região central da Europa – onde há altos índices médios de QI e de ateísmo. Lynn diz que uma explicação para o quadro verificado nos Estados Unidos pode estar no fato de que "há um grande influxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade".
A conclusão é baseada na compilação de pesquisas anteriores que mostram uma relação entre QIs altos e baixa religiosidade e em dois estudos originais. Em um desses estudos, os autores compararam a média de QI com religiosidade entre países. No outro estudo, eles cruzaram os resultados de jovens americanos em um teste alternativo de habilidade intelectual (fator g) com o grau de religiosidade deles.
Na pesquisa entre países, os pesquisadores analisaram média de QI com o de religiosidade em 137 países. Os dados foram coletados em levantamentos anteriores. Os autores concluíram que em apenas 23 dos 137 países a porcentagem da população que não acredita em Deus passa dos 20% e que esses países são, na maioria, os que apresentam índices de QI altos.
Os pesquisadores dividiram os países em dois grupos. No primeiro grupo, foram colocados os países cujas médias de QI são mais baixos, variando de 64 a 86 pontos. Nesse grupo, uma média de apenas 1.95% da população não acredita em Deus. No segundo grupo, onde a média de QI era de 87 a 108, uma média de 16,99% da população não acredita em Deus.
Cientistas, adolescentes e população em geral
Os autores argumentam que essa relação entre QI e descrença religiosa vem sendo demonstrada em várias pesquisas na Europa e nos Estados Unidos desde a primeira metade do século passado. Eles citam, também, uma pesquisa de 1998 que mostrou que apenas 7% dos integrantes da Academia Nacional Americana de Ciências acreditavam em Deus, comparados com 90% da população em geral dos EUA. E uma pesquisa junto aos membros da Royal Society encontrou que apenas 3.3 por cento acreditavam em Deus. Entre a população geral do Reino Unido, 68.5 por cento descrevera-se como crédulos em Deus. (A Royal Society tem 350 anos e já teve como membro Isaac Newton entre outros.)
Lynn disse que a maior parte de crianças com educação primária acredivam em Deus, mas quando entravam na adolescência - e a inteligência delas crescia - muitas começaram a ter dúvidas da existência de Deus. Ele disse a uma revista de ensino médio: "por que menos acadêmicos acreditam em Deus do que a população geral? Eu acredito que é simplismente questão de QI. Acadêmicos tem QI maior do que a população em geral. Muitas pesquisas da população geral tem mostrado que as de QI mais alto tendem a não acreditar em Deus".
Generalização
Lynn admitiu à BBC Brasil que os resultados apontam para uma "generalização" e que há pessoas com QI alto que têm crenças religiosas fortes. Segundo ele, há vários fatores, como influência familiar ou pressão social, que influenciam a religiosidade das pessoas.
"Nós temos que diferenciar a situação hoje com outros períodos da história. As pessoas tendem a adotar uma atitude de acordo com a sociedade em que vivem. Hoje em dia, na Grã-Bretanha e em outros países europeus, não há tanta pressão da sociedade para que você acredite em Deus", afirma. Ele disse também que o aumento de ateísmo de 137 países durante o século XX aconteceu ao mesmo tempo em que as pessoas ficaram mais inteligentes. [Se isto lhe parecer estranho, lembre-se que conforme as pessoas mais pobres vão tendo mais acesso à alimentação, que a desnutrição vem sendo combatida, - que é o que vem ocorrendo - a saúde como um todo melhora, inclusive a inteligência.]
Uma das hipóteses que o estudo levanta para tentar explicar a correlação entre QI e religiosidade é a teoria de que pessoas mais inteligentes são mais propensas a questionar dogmas religiosos "irracionais".
Exceções
Os autores argumentam que há algumas exceções para a conclusão de que QI alto equivale a altas taxas de ateísmo. Eles citam, por exemplo, os casos de Cuba (QI de 85 e cerca de 40% de descrentes) e Vietnã (QI de 94 e taxa de ateísmo de 81%), onde há uma porcentagem de pessoas que não acreditam em Deus maior do que a de países com QI médio semelhante. Uma possível explicação estaria, segundo os autores, no fato de que "esses países são comunistas nos quais houve uma forte propaganda ateísta contra a crença religiosa".
Outra exceção seriam os Estados Unidos, onde a média de QI é considerada alta (98), mas apenas 10,5% dizem não acreditar em Deus, uma taxa bem mais baixa do que a registrada no noroeste e na região central da Europa – onde há altos índices médios de QI e de ateísmo. Lynn diz que uma explicação para o quadro verificado nos Estados Unidos pode estar no fato de que "há um grande influxo de imigrantes de países católicos, como México, o que ajuda a manter índices altos de religiosidade".
Fontes (clique nas imagens para lê-las)
P.S.: 1 O título original era "ateus são mais inteligentes?" mas de alguma forma houve confusão pois não percebeu-se que era uma pergunta e a pergunta NÃO era uma afirmação do tipo "qualquer ateu é mais inteligente do que qualquer teísta". ( Para aqueles que ainda não entenderam, o texto não sugere que qualquer ateu é mais inteligente que qualquer teísta). Então mudei para "ateus são em média mais inteligentes???" E as múltiplas exclações é para sugerir uma pergunta e não uma resposta em definitivo.
P.S.: 2 Criticar o conteúdo do texto só tendo lido o título é como dizer que "Laranja Mecânica" é ficção ruim demais porque laranjas são biológias e não mecânicas.
P.S.: 2 Criticar o conteúdo do texto só tendo lido o título é como dizer que "Laranja Mecânica" é ficção ruim demais porque laranjas são biológias e não mecânicas.
Deus, ET e Jesus alienígena
Uma vez conversava sobre religião e ET. Será que eles adorariam algum deus? Suponha um alienígena de tecnologia avançada. Será que ele, caso seja possível chegar de tão longe aqui na Terra, traria uma nova religião? Com tanta tecnologia e ainda assim um ET religioso?
Claro que não fui o primeiro a pensar em tal assunto. Alguns já misturaram vida inteligente ET com algum aspecto da nossa sociedade. Erich Von Daniken, por exemplo, que grosso modo, usou a seguinte (i)lógica: se não se consegue explicar, hoje em dia, como humanos conseguiriam construir certos monumentos antigos, então nunca se conseguirá explicar. E se nunca se consegue explicar, é porque obviamente foram feitos por ET.
Outro J. J. Benitez sugeriu (felizmente num livro de ficção, infelizmente não considerado assim por vários de seus leitores) ET dando uma de profeta: Jesus teria sido um ET (será que é porque Jesus teria dito "coisas do outro mundo"?). Com isto temos ET em vários cargos pela Terra, de profetas a engenheiros.
Aproveitando uma deixa de Voltaire de seu livro Micrômegas, talvez ele inspirado pelo livro Aventuras de Gulliver, de Jonathan Swift, vamos fazer algumas suposições. Suponha que algum dos profetas que já existiu, era verdadeiro. Pode até ser este que você esteja pensando no momento.
Vamos então nos perguntar, o que aconteceu com gerações e gerações de outras pessoas que nasceram e morreram em outros continentes sem nunca terem visto ou ouvido falar de tal profeta. Será que seriam elas castigadas por serem heréticas? Iriam para o inferno? Reencarnariam? Quando se supõe isto, aceita-se que existe um povo privilegiadíssimo no tempo (afinal foram os únicos entre os seus a serem testemunhas do suposto profeta verdadeiro) e no espaço (povos de outros países ou continentes também não foram testemunhas).
Ou seja, abrimos mão do Princípio de Copérnico do Espaço (tal princípio, propõe que não existe região privilegiada no Universo) ou do Tempo (não existe época privilegiada no mesmo). E daí que se atirarmos um profeta ou uma pedra do alto de um edifício, ambos cairiam com aceleração de 9,8m/s²? (descontado o efeito da resistência do ar e considerando que teremos uma rede de proteção ... para salvar o profeta, claro, não a pedra). E daí também que todos, até então pelo menos, seguem as regras da biologia: nascem e morrem? (tá certo que alguns mitos falam que o seu profeta preferido não morreu - evidentemente que não podem provar tal alegação absurda).
Ainda que tanto para os profetas, as leis da natureza pareçam as mesmas do que as de nós, pobres mortais, sempre podemos enriquecer o mito dizendo que ele, o profeta, pode alterar as leis a qualquer momento se quiser: andar sobre águas, por exemplo. Então se o sobrenatural é alegado poder burlar as leis da natureza, então pode burlar o Princípio de Copérnico também.
Voltando, ao ponto central, percebe-se que se supormos que existe/existiu algum profeta verdadeiro aqui na Terra, então seu deus (ou ele mesmo) foram preguiçosos em visitar outros povos e outras épocas. Ou ainda foram sovinas em economizar o poder infinito que lhe são atribuídos.
Acho que da suposição inicial, podemos concluir que este profeta verdadeiro também não deve ter agraciado ET inteligentes que porventura existam em algum outro planeta que esteja orbitando alguma das bilhões de estrelas só em nossa galáxia. Ou em alguma outra das bilhões de galáxias.
Eu me perguntava se o deus, supondo que exista um, enviou este suposto profeta para outro planeta. Do que conhecemos de nossas mitologias, ele não enviou (deuses são sovinas) . Ou seja, se um dia aparecerem ET inteligentes por aqui, vindos em uma nave interestelar, teríamos que ensiná-los sobre este suposto profeta verdadeiro. Ou o contrário, teríamos que aceitar o profeta dele?
Lembrei-me agora de uma frase de Kant, que ao defender sua religião, teria dito "credo quia absurdum est" ("eu creio porque é absurdo").
Revejam os vídeos Dancem Macacos Dancem e Macacos!, pertinentes ao assunto.
Claro que não fui o primeiro a pensar em tal assunto. Alguns já misturaram vida inteligente ET com algum aspecto da nossa sociedade. Erich Von Daniken, por exemplo, que grosso modo, usou a seguinte (i)lógica: se não se consegue explicar, hoje em dia, como humanos conseguiriam construir certos monumentos antigos, então nunca se conseguirá explicar. E se nunca se consegue explicar, é porque obviamente foram feitos por ET.
Outro J. J. Benitez sugeriu (felizmente num livro de ficção, infelizmente não considerado assim por vários de seus leitores) ET dando uma de profeta: Jesus teria sido um ET (será que é porque Jesus teria dito "coisas do outro mundo"?). Com isto temos ET em vários cargos pela Terra, de profetas a engenheiros.
Aproveitando uma deixa de Voltaire de seu livro Micrômegas, talvez ele inspirado pelo livro Aventuras de Gulliver, de Jonathan Swift, vamos fazer algumas suposições. Suponha que algum dos profetas que já existiu, era verdadeiro. Pode até ser este que você esteja pensando no momento.
Vamos então nos perguntar, o que aconteceu com gerações e gerações de outras pessoas que nasceram e morreram em outros continentes sem nunca terem visto ou ouvido falar de tal profeta. Será que seriam elas castigadas por serem heréticas? Iriam para o inferno? Reencarnariam? Quando se supõe isto, aceita-se que existe um povo privilegiadíssimo no tempo (afinal foram os únicos entre os seus a serem testemunhas do suposto profeta verdadeiro) e no espaço (povos de outros países ou continentes também não foram testemunhas).
Ou seja, abrimos mão do Princípio de Copérnico do Espaço (tal princípio, propõe que não existe região privilegiada no Universo) ou do Tempo (não existe época privilegiada no mesmo). E daí que se atirarmos um profeta ou uma pedra do alto de um edifício, ambos cairiam com aceleração de 9,8m/s²? (descontado o efeito da resistência do ar e considerando que teremos uma rede de proteção ... para salvar o profeta, claro, não a pedra). E daí também que todos, até então pelo menos, seguem as regras da biologia: nascem e morrem? (tá certo que alguns mitos falam que o seu profeta preferido não morreu - evidentemente que não podem provar tal alegação absurda).
Ainda que tanto para os profetas, as leis da natureza pareçam as mesmas do que as de nós, pobres mortais, sempre podemos enriquecer o mito dizendo que ele, o profeta, pode alterar as leis a qualquer momento se quiser: andar sobre águas, por exemplo. Então se o sobrenatural é alegado poder burlar as leis da natureza, então pode burlar o Princípio de Copérnico também.
Voltando, ao ponto central, percebe-se que se supormos que existe/existiu algum profeta verdadeiro aqui na Terra, então seu deus (ou ele mesmo) foram preguiçosos em visitar outros povos e outras épocas. Ou ainda foram sovinas em economizar o poder infinito que lhe são atribuídos.
Acho que da suposição inicial, podemos concluir que este profeta verdadeiro também não deve ter agraciado ET inteligentes que porventura existam em algum outro planeta que esteja orbitando alguma das bilhões de estrelas só em nossa galáxia. Ou em alguma outra das bilhões de galáxias.
Eu me perguntava se o deus, supondo que exista um, enviou este suposto profeta para outro planeta. Do que conhecemos de nossas mitologias, ele não enviou (deuses são sovinas) . Ou seja, se um dia aparecerem ET inteligentes por aqui, vindos em uma nave interestelar, teríamos que ensiná-los sobre este suposto profeta verdadeiro. Ou o contrário, teríamos que aceitar o profeta dele?
Lembrei-me agora de uma frase de Kant, que ao defender sua religião, teria dito "credo quia absurdum est" ("eu creio porque é absurdo").
Revejam os vídeos Dancem Macacos Dancem e Macacos!, pertinentes ao assunto.

14/05/2008 - 08h01
É possível acreditar em Deus e em ETs, diz diretor do Vaticano
da Efe, na Cidade do Vaticano
O diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, o jesuíta argentino José Gabriel Funes, afirmou que é possível acreditar em Deus e em vida fora da Terra.
"Pode-se admitir a existência de outros mundos e outras vidas, inclusive mais evoluída que a nossa, sem por isso questionar a fé na criação, na encarnação e na redenção", disse. "É possível crer em Deus e nos extraterrestres", afirmou, em entrevista ao jornal "L'Osservatore Romano".
O jesuíta argentino afirmou que a astronomia aproxima o homem de Deus e ressaltou que é um "mito" considerar que essa ciência favorece uma visão atéia do mundo.
Funes destacou que o Universo não é infinito, que tem 14 bilhões de anos e que a teoria do Big Bang é a que melhor explica, até agora, a origem do mundo.
Questionado sobre se a teoria do Big Bang reforça ou contradiz a visão de fé baseada no que conta a Bíblia, Funes disse que, "como astrônomo, continuo achando que Deus é o criador do Universo e que nós não somos frutos da casualidade, mas filhos de um bom pai, o qual tem para nós um projeto de amor".
Funes afirmou também que os astrônomos sustentam que o Universo é formado por 100 bilhões de galáxias, cada uma das quais composta por 100 bilhões de estrelas e que muitas delas ou quase todas podem ter planetas.
"Como pode-se excluir que a vida não tenha se desenvolvido em outras partes?", perguntou.
Fonte: (clique na imagem para ler)
"Pode-se admitir a existência de outros mundos e outras vidas, inclusive mais evoluída que a nossa, sem por isso questionar a fé na criação, na encarnação e na redenção", disse. "É possível crer em Deus e nos extraterrestres", afirmou, em entrevista ao jornal "L'Osservatore Romano".
O jesuíta argentino afirmou que a astronomia aproxima o homem de Deus e ressaltou que é um "mito" considerar que essa ciência favorece uma visão atéia do mundo.
Funes destacou que o Universo não é infinito, que tem 14 bilhões de anos e que a teoria do Big Bang é a que melhor explica, até agora, a origem do mundo.
Questionado sobre se a teoria do Big Bang reforça ou contradiz a visão de fé baseada no que conta a Bíblia, Funes disse que, "como astrônomo, continuo achando que Deus é o criador do Universo e que nós não somos frutos da casualidade, mas filhos de um bom pai, o qual tem para nós um projeto de amor".
Funes afirmou também que os astrônomos sustentam que o Universo é formado por 100 bilhões de galáxias, cada uma das quais composta por 100 bilhões de estrelas e que muitas delas ou quase todas podem ter planetas.
"Como pode-se excluir que a vida não tenha se desenvolvido em outras partes?", perguntou.
Fonte: (clique na imagem para ler)

Assinar:
Postagens (Atom)
