A Religião Ideal

Resolvi fazer esta postagem depois de uma conversa que tive sobre a origem do pensamento religioso, religião ideal, e etc. com uma pessoa recentemente. Aqui vai só parte da conversa.


"O desejo de buscar Deus é intrinseco no homem"

Parece q as pessoas nascem atéias e depois, dependendo do país onde morem, ouvirão histórias sobre Deus ou Alá ou Shiva ou qualquer outro deus. Pais, parentes e amigos também têm peso importante na escolha. Então pela força da tradição, dos pais, sociedade ou algo assim, tenderão a acreditar no deus pregado localmente e rejeitarão deuses "estrangeiros".

Isto não é fixo entretanto. É dinâmico, por exemplo, o deus brasileiro é Tupã ou variantes. O deus cristão chamado de "Deus" foi um importado do Oriente Médio. Então a sociedade pode mudar.

Então, atualmente, uma pessoa que nasça no Brasil, tenderá a ser católico. Claro que você pode não ser, mas a tradição católica aqui é bem forte: veja os feriados nacionais por exemplo. Boa parte de refere a algum mito católico. Em outros países serão outros mitos.

E a origem deste desejo intrínseco?

Observe-se como um torcedor de futebol (eu por exemplo já me peguei várias vezes agindo da forma que descreverei). Durante o jogo, assistido pela televisão, você se envolve. Você grita e torce para a bola entrar no gol. Gritar "vai vai" ou "não não" durante a transmissão de um jogo de futebol não faz a menor diferença! Mas ainda assim você grita como se pudesse alterar a trajetória da bola.

Este tipo de comportamento lhe parece o que? Como se chama o ato no qual você pratica mas que não tem correlação entre ele e as coisas que você acha que tem ou ainda, mesmo funcionando quase nunca ou nunca, você insiste em praticá-lo?

Outra situação: jogadores gritando para os dados na mesa de um cassino. Ou pessoas falando "vai vai..mais para a esquerda" para uma bola de boliche qdo ela já rola pela pista. Ou quando o carteador já lhe deu uma carta de baralha, virada de costas, e você antes de virá-la e ver qual recebeu, você mentaliza alguma carta que deseje como se isto fizesse a carta virar a que você precisa.

Fazer preces para que chova, dança da chuva, por exemplo: eventualmente dá certo, vai chover algum dia. Mas será que porque vc fez preces ou uma dança e algo aconteceu depois este algo teve a ver? Cheque isto várias vezes. Faça preces
hoje para que chova hoje. Amanhã faça o mesmo. Se falhar a maioria das vezes é indício fortíssimo de que nada teve a ver: quando você fez preces e choveu então, foi por mera coincidência.

É só contar quantas vezes deram certo e quantas deram errado. Nem precisa ser um exame estatístico rigoroso, muitas vezes. Simples contagem te diria quais atos não funcionam. E seria normal e até esperado que você continuasse com tais atos. Equanto você não analisasse mais de perto. Ceticamente, digamos.

As pessoas menos crédulas em tais atos, tenderão a se livrar deles à medida que percebem que não funcionam. Outras pessoas vão insistir um pouco mais. Podem até tentar justificar a "eficiência" do ato. Elas podem ainda dizer que "mas influenciam um pouco!". Elas garantirão.

Outras mais criativas, para justificar uma suposta eficiência de tais atos, alegarão algum poder espiritual, sobrenatural, algum anjo ou deus lhe ajudando. "Se você mentalizar, sendo tua fé grande o bastante, você pode mudar os números do dado, a trajetória da bola de futebol, ou mudar a carta de um baralho". E, à partir do momento que você alega um mundo espiritual, seres para empurrar a bola de boliche, mudar a carta do baralho, etc, pronto: você criou uma religião.

Mas porque as pessoas confiaram em tais atos primeiramente?

Talvez na ânsia de vencer, de torcer por si mesmo (em geral as pessoas não começam um projeto torcendo contra ele). Um grito aqui, um pensamento positivo ali, parecem não atrapalhar não é mesmo? Que tal mantras? Se der certo poderemos dizer que foi por causa deles. Se os atos não funcionarem, poderemos sempre dizer que não os fizemos direito e num segundo estágio, vamos dizer que não eram para acontecer pois não faziam parte dos planos do(s) ser(es) superior(es).

Então o que começa com um simples desejo de que dê certo, a esperança do sucesso, estes atos ineficientes que os jogadores, os torcedores ou outros não cansam de fazer, ganham corpo, histórias, e ganham status de religião.

Num certo ponto, mudamos um pouco de assunto. Em certa altura nos falamos:

"o que seria uma religião que funciona?"

Penso que ainda não inventaram. Uma religião que funciona seria algo como se suas escrituras não fossem ilógicas ou contraditórias. E do lado mais prático, experimental, também funcionasse (preces, meditações, etc). Por exemplo, as preces para o deus ou deuses que tal religião prega, fossem atendidas num nível bem maior do que o mero efeito placebo que as religiões modernas ou primitivas conseguem ou conseguiam até hoje.

Noutras palavras, uma religião que não se mostrasse tão inútil quanto um placabo do ponto de vista empírico.

O que seria um ato supersticioso?

O que é superstição?

Vejamos a definição segundo o dicionário Aurélio:

1. Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice.
2. Crença em presságios tirados de fatos puramente fortuitos.
3. Apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa: A moça tem a superstição do número treze.

A religião seria então a alegação da existência de seres que governariam a suposta eficiência da fé? dos mantras? das mentalizações? dos pensamentos positivos? A Religião então seria as histórias que contamos para fazer com que nossos atos supersticiosos se parecessem ... menos supersticiosos?

Bem... seja como for, não se desespere. No final você ainda pode dizer que:
"as preces não funcionaram porque não eram planos de Deus"
ou ainda
"as preces não funcionaram porque minha fé foi pequena"
mesmo que pareçam falhar todos tipos de preces (orações, rezas, macumbas...)
a maioria das vezes (se tiver um cético examinando, aí falham sempre?) para qualquer profetia, messias, avatar, etc, ou ainda para qualquer deus.





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4 comentários:

Paulo Bento Bandarra disse...

Devemos pensar no homem como um hardware e a cultura como o seu software. Pelo software ele apreenderá o que gostar de comer, tabus alimentares, gostar de determinado tipo de pessoa, formar a sua escala de valores, e no caso, a forma de acreditar no sobrenatural! O primeiro impriming será a da sua mãe e pai! Que derivam dos seus, em obviamente. Ninguém é congenitamente católico, inca ou budista! Ana Maria Rissuto, psicanalista católica encontrou uma grande correlação entre as características que a pessoa atribui ao “seu” Deus, e as relações parentais entre os cristãos!

A sua segunda proposta não é religião, mas a força do pensamento mágico que desenvolveu na infância, e que deve diminuir na vida adulta quando se depara com a realidade. Não adianta pedir leite para vaca. Tem que sentar no banquinho e ordenhar! Mas a maioria das pessoas ainda cultiva isto “desejando” que chova, que ganhe na loteria, que ganhe aumento de salário, que o governo olhe para os pobres, etc... como os seus exemplos dados!

Mas as pessoas que acreditam necessitam desta crença como uma defesa para a sua sensação de desamparo da vida adulta. No início bastava correr para o colo da mãe ou do pai, e as coisas seriam resolvidas, as faltas perdoadas, o amor retomado! Mas à medida que a vida passa, ela é ensinada a recorrer ao mundo sobrenatural (imaginário criado pela educação) para obter este tipo de conforto mental para o sofrimento interno. Começa no batismo, nos padrinhos, no ser levado a cultos, a ser ameaçado com o sobrenatural se não agir bem, com o papai do céu! Não é por nada que se reza para ninguém menos do que o: PAI! Que Deus é Pai e não Carrasco, etc... E para criar esta realidade imaginária, se começa a necessitar de criar locais para isto, símbolos (Bezerro de Ouro), criar templos, altares, fazer oferendas (presentes), rituais repetitivos para apaziguar as dúvidas e reconquistar a tranqüilidade infantil que se tinha ao reencontrar os pais e reafirmar os laços de proteção e aparo emocional que conseguíamos desta maneira! Mas que também fomos ensinados a acreditar que existam. Mas não a qualidade ou a coerência. Tanto faz ser um xamã, bruxo, mãe de santo, benzedeira, padre, imã, rabino, Dalai, chefe de terreiro, etc. Freud comparava os rituais repetitivos com as ações dos neuróticos que usam os mesmos pelo mesmo motivo: conseguir a tranqüilidade e reafirma a fantasia como uma coisa viva!

Ele não se atreveria a testar a religião, pois o seu objetivo não é procurar a verdade, mas conseguir a tranqüilidade interna! Não importa que seja David Koresh, Reverendo Moon, Edir Macedo ou Bispa Sonia Hernandes.

Anônimo disse...

sou sua fã numero um(1)
abraços

Anônimo disse...

Acontece uma guerra nuclear. Todo mundo morre e ficam apenas os computadores inteligentes, ou a beira da inteligencia.

Considera-se que eles ja tivessem dominado os meios de produçao.. e dado inicio a auto-multiplicaçao.

Chega-se um momento em que eles terao uma "historia" e desenvolvido relaçoes proprias de seres humanos, so que com outros computadores..2 mil anos se passam. 5 milhoes de anos se passam, e eles ja nao se baseiam em formatos mecanicos e nem sabem mais o que é um "processador", ja se baseiam em formas organicas de existencia.. ou apenas luminosas.. seja la qual for a implicaçao pratica disso, eles ja se tornaram um misto entre silicio e informaçao luminosa... e ja filosofam a muito tempo...

enfim.. algum dia será que eles adorarão seres humanos? sei la..rs

Leandro B disse...

"algum dia será que eles adorarão seres humanos? "

eles poderiam adorar algum deus... sobretudo se tiverem perdido, como nós, o acesso a todas as informações sobre sua origem.

"não podemos ter surgido pelo acaso" dirão alguns robôs "devemos ter sido criados" concluirá o robô-teísta e prossegue "se você não sabe explicar nossas origens, logo minha idéia e meu deus são verdadeiros" ..rs